luz de plástico

luz de plástico

luz de plástico

da plasticidade


5 de março de 2015

Venho tentando, desisti mais esses dias.
Desistir para correr menos, para deixar qualquer crise, qualquer choro, ir na frente com toda sua presa devorando tudo.
Desisti pelo menos duas vezes hoje de encontrar uma resposta que não encontro a meses.
Se for preciso desisto de novo, só para conseguir reservar um pouco de mim. 






10 de fevereiro de 2015








Ela guardou algumas conchinhas no bolso e continuou ali olhando a areia ser acariciada pelas ondas. Com as mãos levou um pouco de água até o rosto e lembrou que tinha deixado muito por fazer mas desejava ficar mais um pouco. Percebeu que mudou muito pouco em muito tempo e os seus medos a cada tempo ruim fincam mais fundo.






9 de fevereiro de 2015









Ela já disse inúmeras vezes, se desculpou por não ser perfeita.
Ela encontrou tanto barulho que tampou os ouvidos e mesmo assim ainda escutava.
Sentia um mar dentro, os seus pensamentos eram ondas, seus sentimentos eram ondas, eles iam e voltavam arrastando os que estavam na praia, desenterrava os escondidos na areia. Ela se afastava um pouco mas logo o mar a alcançava distraída. Recuava mais um pouco, o mar esvaziava, ela caminhava até ele para ao menos molhar os pés.
Ela tinha o olhar confuso as vezes nem se sentia viva. Acreditava que ia passar logo essa maré e em breve o mar ficaria tranquilo. Ela esperava para sentir o sol macio na sua pele, esperava esquecer que perdeu tanto.









27 de janeiro de 2015





Faz um tempo e as últimas palavras foram escolhidas, escondidas ficaram as que não queríamos ver.
As escritas do meu lado ficam escondidas por trás da vontade de revê-las. As deixo encaixotadas no meio do caminho e qualquer movimento as empurram, ficam espremidas entre avisos importantes, encontro mais tarde, convite recusado. Espero que a qualquer momento elas fujam acreditando que as esqueci.






16 de janeiro de 2015





Os dois mergulham silenciosos ora em movimento outrora imoveis.
Todo o corpo deles em alerta é preciso voltar a superfície para respirar e novamente mergulhar.
Mergulhar, deixar o todo em volta e imergir dentro de si.






14 de janeiro de 2015






Vivo em busca de sutilezas, sem saber se elas podem sustentar algo ou se têm alguma força.
Apenas sei que, sem pedir, elas conseguem me parar quando estou com pressa e me fazem sorrir quando menos espero.






24 de dezembro de 2014









Repenso, de novo escrevo, invento um paradoxo e o arrasto para o canto, prometo que vou resolver assim que sobrar tempo.
Resta ainda um estreito caminho entre os cantos, amontoados todos eles ficam estalando a ponto de romper como uma mina escondida debaixo da terra. Afasto-os com os pés e já esqueci o nome deles, já esqueci que já escrevi isso em algum lugar e me convenço que paradoxos depois de inventados não podem ser resolvidos. 
As vezes é melhor quando as palavras são apenas textura sobre o papel. Estou cheia e coisa alguma foi resolvida escrevendo, eu já escrevi isso antes. 
Desta distância deles nada os desfaz. Continuam todos eles nos cantos assim a ponto de anularem um ao outro, se enfrentando com toda a sua força. Falta coragem ou vontade mas ainda resta um pequeno espaço e arrasto um novo paradoxo para o canto.